Leonardo Monteiro, Brunny e Mourão são um dos nomes de deputados que receberam doação da Vale; saiba

Nas eleições do ano passado, foram inúmeros os partidos políticos e candidatos, seja a deputado, senador, governador e presidente, que receberam dinheiro da Vale — que junto com a BHP é proprietária da Samarco, dona da barragem que se rompeu em Mariana — para bancarem suas campanhas políticas. Alguns conseguiram se eleger e hoje exercem seus mandatos na Assembleia de Minas e no Congresso Nacional e integram comissões especiais e extraordinárias que foram criadas para acompanhar as causas da

tragédia e seus desdobramentos. Conforme apurado pela equipe de reportagem do DIÁRIO DO RIO DOCE, com informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos que representam Valadares e região, os deputados estaduais José Bonifácio Mourão (PSDB) e Celise Laviola (PMDB) e os deputados federais Leonardo Monteiro (PT-MG), Leonardo Quintão (PMDB-MG) e Brunny (PTC-MG) receberam, direta ou indiretamente, doações de cinco empresas controladas pela Vale: Vale Energia, Vale Mina do Azul, Vale Manganês, Minerações Brasileiras Reunidas e Mineração Corumbaense Reunida. A Samarco não fez doações.

Os valores doados a esses políticos somam R$ 714.137,28. As contribuições incluem tanto doações diretas em dinheiro, transferência ou cheque, quanto doações indiretas em serviços de campanha. Por exemplo, se um partido usou uma doação da Vale para comprar material de campanha, os candidatos beneficiados têm de registrar em sua prestação de contas o valor equivalente ao material como uma doação do partido feita a partir de uma contribuição financeira da Vale.

O deputado federal Leonardo Quintão, que é o relator do novo Código da Mineração e cuja prestação de contas foi entregue ao TSE em 14 de novembro de 2014, foi o que recebeu a quantia mais alta: R$ 700 mil em cheque. O dinheiro veio da direção nacional do partido, mas teve como doador originário a Vale Mina do Azul S.A., localizada no Complexo Minerador de Carajás e que é responsável por 80% da produção de manganês da Vale. Depois dele, o xará Leonardo Monteiro foi o segundo “mais bem pago” de Valadares e região. O parlamentar petista, que entregou sua prestação de contas no dia 23 de novembro do ano passado e que integra a comissão externa da Câmara dos Deputados destinada a acompanhar e monitorar os desdobramentos do desastre em Mariana, recebeu R$ 12.156,53 em valor estimado e doado pelo comitê financeiro único do PT, mas cujo doador originário foi a Mineração Brasileira Reunidas S.A., empresa que também pertence ao grupo da Vale. Já a deputada federal Brunny, que compõe a mesma comissão que Monteiro, recebeu o valor de R$ 464,75, que veio inicialmente do então candidato ao governo de Minas pelo PSDB, Pimenta da Veiga, para gastos com material de campanha, mas cujo doador originário foi a Vale Energia S.A., que pertence à Vale.

Da Assembleia de Minas, o deputado estadual José Bonifácio Mourão, que é um dos integrantes da comissão especial criada para investigar o desastre ambiental, recebeu R$ 1.351 em valores estimados, cujos doadores originários foram a Vale Energia S.A. e a Vale Manganês S.A. Por sua vez, a também deputada estadual Celise Laviola, que faz parte da mesma comissão que Mourão, recebeu R$ 165, valor estimado, que veio da Mineração Corumbaense Reunidas S.A. Ambas as empresas pertencem à Vale.
Respostas
Leonardo Quintão, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que as contas foram devidamente aprovadas. “Informamos que o deputado federal Leonardo Quintão não integra nenhuma comissão que apura o desastre em Mariana, apenas tem acompanhado os trabalhos como relator do novo Código da Mineração. Todas as doações recebidas na sua campanha em 2014 foram legais e podem ser consultadas no Tribunal Superior Eleitoral, sendo suas contas de campanha devidamente aprovadas. Essas doações referem-se a diversos segmentos, como indústria farmacêutica, alimentícia, construtoras, bem como mineradoras. Também é necessário informar que o deputado tem trabalhado como relator do novo Código da Mineração desde 2013. O relatório apresentado não favorece as empresas, ao contrário, eleva em mais de 4 vezes o valor pago pelas mineradoras aos municípios, como compensação financeira pela exploração do minério. Além disso, o relatório apresentado pelo deputado chama a atenção do Governo Federal para a fragilidade em que se encontra o Departamento Nacional de Proteção Mineral e a necessidade de reestruturação do órgão, principalmente, no que se refere à fiscalização.”

Mourão esclareceu que o valor não foi doado a ele diretamente, foi declarado pelo deputado federal Rodrigo de Castro, por um material impresso de campanha que ambos fizeram juntos. “Eu nem sabia que eu tinha recebido essa doação. Os candidatos Rodrigo de Castro e o Pimenta da Veiga fizeram propaganda comigo, e eles é que declararam o valor de R$ 1.351,75. Eu mesmo não recebi nenhum centavo, o que aconteceu foi que saí em uma foto com eles”. Na mesma linha, Celise Laviola explicou que não recebeu nenhum valor e que foi apenas uma propaganda. “Isso não vai interferir em nada no meu trabalho. Eu quero é que tudo seja muito bem apurado. Não recebi dinheiro da empresa, esse valor irrisório foi por uma propaganda em um único município com o deputado Reginaldo.”

Leonardo Monteiro também enviou nota explicativa por meio de sua assessoria de imprensa. “"O deputado federal Leonardo Monteiro não recebeu recursos diretamente doados pela Vale. Trata-se de doação legal e prevista em lei. Na ocasião, a Vale fez doações a todos os partidos, incluindo o PT. Assim como outros candidatos, Leonardo Monteiro recebeu doação do caixa único do Partido, como consta em sua prestação de contas aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral. As doações de empresas para campanhas eleitorais foram proibidas em 2015, tanto pelo Supremo Tribunal Federal quanto pelo Congresso Nacional. Antes disso, o PT já havia internamente decidido que não mais aceitaria esse tipo de contribuição, por entender que o poder econômico não deve influenciar o processo democrático. O deputado federal Leonardo Monteiro reafirma seus compromissos com o meio ambiente, a questão social e a solução da tragédia ocorrida em Mariana.”

A deputada federal Brunny foi procurada por sua assessoria de imprensa nesta quarta-feira, mas até o fechamento desta edição não houve resposta. A Vale também se pronunciou a respeito das doações. Em nota enviada ao DRD, a mineradora disse que as doações foram devidamente registradas e que foram feitas a líderes em estados onde a companhia atua. “As doações eleitorais obedeceram rigorosamente à legislação em vigor e estão devidamente registradas na Justiça. As doações foram feitas apenas para líderes em estados em que a companhia atua, levando em conta a visão desses líderes, em consonância com os valores de desenvolvimento econômico e social compartilhados pela Vale. A Vale sempre atuou de maneira ética e transparente e, por isso, não interfere em ações parlamentares.”  
Linhas gerais
A metade das doações da Vale foi para o PMDB, partido que controla a mineração no governo, o qual recebeu R$ 23,55 milhões dos R$ 48,85 milhões destinados por empresas da Vale a comitês financeiros e diretórios na campanha de 2014. O partido é o que controla o setor de mineração no Brasil, tendo indicado o ministro das Minas e Energia e a maioria dos chefes do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Entre os doadores para partidos (comitês, diretórios), o PMDB agora dispara em primeiro lugar, com seus R$ 23,5 milhões. Em seguida vêm o PT, com R$ 8,25 milhões; o PSDB, com R$ 6,96 milhões; e o PSB, com R$ 3,5 milhões. O PP e o PCdoB aparecem empatados, com R$ 1,5 milhão cada um. DEM e PCdoB receberam, respectivamente, R$ 990 mil e R$ 900 mil. A lista é completada com SD (R$ 920 mil), PPS (R$ 800 mil), PSD (R$ 250 mil), PROS (R$ 150 mil), PRB e PDT (R$ 100 mil cada um) e PEN (R$ 70 mil)


informações site DRD 
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