Água volta a ser captada no rio Doce, mas distribuição segue em Valadares

A captação de água no rio Doce, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, foi retomada neste domingo (15), segundo informou a prefeitura da cidade. No sábado, o governador Fernando Pimentel esteve em Valadares e junto com a prefeita Elisa Costa e o Ministro da Integração, Gilberto Occhi, apresentou um laudo atestando a possibilidade do retorno da captação.A captação de água foi interrompida pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade depois que o rio Doce foi atingido pela lama proveniente do rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, que pertence a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana (MG).
Para a captação é utilizada uma substância coagulante chamada polímero de acácia negra, que acelera o processo de decantação, permitindo a separação dos resíduos. De acordo com a prefeitura de Valadares, mesmo começando a tratar neste domingo, a água só começaria a chegar às torneiras na próxima segunda-feira (16), em alguns locais; e, na cidade toda até a próxima sexta-feira (20).
No entanto, algumas pessoas postaram em redes sociais que na tarde deste domingo (15) a água voltou a cair nas caixas d'água, porém com a cor escura e em alguns locais com o cheiro forte. A prefeitura publicou em uma rede social que a água é potável e está dentro dos padrões.
Por meio de nota, o Saae alertou que a chegada da água pode fazer com que qualquer resíduo no fundo da caixa d’água apareça e a água pareça suja. “O Saae recomenda, inclusive, para que todos aproveitem para lavar as caixas. Mas a água distribuída estará dentro dos mais rigorosos padrões de qualidade para o consumo”.
Distribuição de água
Neste domingo (15), os 14 postos de distribuição de água tiveram longas filas. Pela manhã, na Praça de Esportes, um quarteirão teve que ser fechado na Rua Dom Pedro II, entre as ruas Afonso Pena e Sete de Setembro. Inúmeras pessoas aguardavam para pegar água mineral.
Paulo Alves conseguiu pegar 12 garrafas de água mineral com 1,5 litro cada (Foto: Diego Souza/G1)Paulo Alves conseguiu pegar 12 garrafas de água
mineral com 1,5 litro cada (Foto: Diego Souza/G1
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Paulo Alves Domingues conseguiu pegar 12 garrafas de água mineral com 1,5 litro cada. Ele afirmou que enfrenta uma série de dificuldades desde que a água deixou de cair na sua caixa de água. “A começar pelo meu trabalho. Sou pedreiro e estou parado porque não tem água. Na minha casa eu moro com a minha mulher e minha sogra e estamos tendo dificuldades para tomar banho, lavar vasilhas, roupas. Espero que essa solução dê certo e que a água volta a cair com qualidade”, disse Paulo.
No Bairro Turmalina a fila para pegar água mineral também reuniu um grande número de pessoas. Willy Alves conta que chegou no local às 15 horas e não tinha previsão de quando conseguiria ter acesso a água. “A fila está muito grande. São muitas pessoas esperando para a receber a água. A distribuição será até às 17 horas. Espero que até lá eu consiga pegar a água”, disse.
Atualmente, chegam à cidade de Governador Valadares, cerca de 3,2 milhões de litros de água por dia. Esta água, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, é trazida da cidade de Ipatinga, no Vale do Aço, por meio de caminhões pipa.
No entanto, segundo a prefeitura, são necessários, no mínimo, 15 milhões de litros de água por dia para abastecer 280 mil valadarenses. Em dias normais, a vazão média é de 60 milhões de litros por dia. A prefeitura garante segue viabilizando toda a logística para o transporte dessa água. Mais de 40 caminhões-pipa já estão em operação. Outros 150 estão a caminho do município, diz a prefeitura.
Ainda neste domingo (15) a prefeitura informou que os vagões pipas com água prometidos pela Vale não estão chegando. A assessoria de comunicação disse que depois da chegada dos 4 vagões tanque, na última sexta-feira (13), nenhuma remessa de água chegou na cidade. Na ocasião, a água deve que ser descarta pelo teor de querosene que continha.
A prefeitura acredita que a ocupação de índios Krenak na Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM), em Resplendor esteja impedindo a chegada do trem com os novos vagões tanque com água. Em nota. a Vale confirmou a informação: "com a ocupação, as operações de carga e de passageiros estão paralisadas por tempo indeterminado e está prejudicado o apoio à distribuição de água para outras comunidades ao longo da EFVM".


foto Diego Souza/ fonte G1 Vales 
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